"Se exponho a você minha nudez como pessoa, não me faça sentir vergonha!"

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Beleza porta a porta

Mariana Velozo, 25 anos, publicitária e revendedora da Avon. Revendedora da Avon? É isso mesmo! Mari, como é chamada pelas amigas e clientes, coordena a equipe de comunicação da Ordem dos Advogados do Brasil, em Goiás, há três anos e está muito satisfeita com a carreira. O que ela não esconde é uma verdadeira paixão por produtos de beleza. A relação da publicitária com os cosméticos começou há oito anos por influência da mãe, na época revendedora.
Mari, que acabava de ingressar na faculdade, resolveu ganhar um dinheiro extra, mas quando percebeu já estava totalmente fisgada pelo negócio. “Tenho pouquíssimo lucro. Transformo praticamente tudo o que ganho em produtos para o meu próprio consumo”, confessa entre risos.
A jornalista Paula Arantes, amiga e colega de trabalho de Mariana, é cliente fiel da revendedora. Ela calcula que, todo mês, gasta pelo menos 30 reais com cosméticos. A maquiagem é o item preferido da jornalista. “É muito cômodo ter uma revistinha da Avon sempre por perto”, justifica. E com tanta facilidade, ela não consegue resistir. “Nunca exagerei, mas já comprei coisa que não precisava”, admite Paula.
Mariana e Paula não são as únicas. A venda direta – ou “porta a porta” – de cosméticos é um negócio que conquistou mulheres de todo o mundo. A marca Avon, por exemplo, movimenta 8 bilhões de dólares por ano no mercado global. São mais de 5 milhões de revendedoras e 40 mil funcionários espalhados pelos cinco continentes. Os números são da própria empresa e estão relacionados no site da marca.
Um portal na internet também traz curiosidades sobre a criação da Avon, nome em homenagem a William Shakespeare, escritor nascido na cidade inglesa de Stratford-on Avon. A empresa foi criada há mais de 120 anos, em Nova York, Estados Unidos, por David McConnel. Vendedor de obras literárias de porta a porta, McConnel teve a idéia quando passou a presentear clientes com um frasco de perfume. As fragrâncias acabaram fazendo mais sucesso do que os livros.
Para a dermatologista Valéria Estrela, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Academia Americana de Dermatologia, a tradição e o sucesso de uma marca não justificam qualquer tipo de descuido com a saúde. Ela explica que os cosméticos são produtos autorizados pela Vigilância Sanitária e podem ser comercializados livremente. A profissional não condena todos os itens do catálogo, mas reconhece que quando o assunto é tratamento não prescreve produtos que não sejam da linha médica. “Se um paciente resolveu tratar a pele, que seja com um dermatologista e não com cremes de revistas”.
Valéria Estrela critica, principalmente, a propaganda enganosa. “Até que ponto não compramos uma ilusão?”, questiona. “A indústria dos cosméticos fatura bilhões, por ano, com a promessa de que em quatro semanas a cliente vai estar com a pele de uma modelo. Um creme cosmético não se compara a um creme de tratamento médico supervisionado por um dermatologista. É preciso estar atento”, conclui.

Um comentário:

Lílian disse...

Oi, amiga! Muito boas as suas reportagens. Parabéns! Eu só queria fazer uma correçãozinha: O nome da cidade onde Shakespeare nasceu é Stratford-upon Avon. Eu já fui lá, por isso q eu sei (q nojo!). Bjos.