"Se exponho a você minha nudez como pessoa, não me faça sentir vergonha!"

segunda-feira, 21 de julho de 2008

A vaga e a fera

A cena é comum. Tenho certeza de que você já experimentou, pelo menos, algo parecido. É tarde de sábado e resolvo dar uma “passadinha” no shopping para sacar dinheiro no caixa “rápido”. Uma, duas, três... Cinco voltas depois e nada de encontrar uma vaga no estacionamento.
Já estou “quase” ficando irritada e eis que surge uma luz no fim do túnel. Sinalizo e aguardo, educadamente, a minha vez de ocupar o espaço. Até porque precisava dar passagem para o carro que saía. Mas eis que surge uma sombra no fim do túnel: um espertinho ocupa a minha vaga. Minha vaga!
Com aquela calma singular de quem está prestes a enfartar encarei o atrevido e cuspi: “você não viu que eu cheguei primeiro?”. Ele cuspiu de volta: “chegou?! E daí?”. Depois dessa incrível demostração de civilidade, o melhor que eu consegui dizer foi: “pode ficar com a vaga, seu mal-educado!”. “Pode ficar com a vaga?!”. Brilhante resposta! Ele deve ter dado boas gargalhadas. Eu, urrando como uma fera, saí sem olhar para trás.
Ah, mas eu tinha um plano... Depois que o troglodita deixasse o estacionamento e entrasse no shopping, eu faria picadinho dos pneus do carro dele. Já tinha escolhido até a trilha sonora do filme Psicose, de Alfred Hitchocock, para a minha vingança. Mas a fantasia durou pouco. No universo infinito de objetos que povoam a minha bolsa, não havia uma faca. Nem uma tesourinha sequer. Afinal, por que eu andaria armada?
E já que não aprendi a fazer justiça com minhas próprias mãos, eu pergunto: como agir em uma hora dessas? Será que não poderiam criar uma lei para proteger a sociedade dos mal-educados? Eu queria, pelo menos, saber o que dizer. E enquanto não aprendo, agradeço por ter recebido de herança as regras básicas do convívio social.
Dizer as palavrinhas mágicas: “obrigada”, “por favor” e “com licença” não é frescura. Longe disso! Enquanto os pais não se conscientizarem de que são responsáveis pela boa educação dos filhos, continuaremos vivendo em um mundo onde é comum, e até aceitável, furar a fila do elevador, jogar papel pela janela do carro e falar palavrão em público. Enquanto não ficar claro que o “meu direito termina onde começa o do outro”, a convivência no mundo estará ameaçada.

4 comentários:

Luís Eduardo Dantas disse...

Ah! Eu odeio quando acontece isso!
Mas enquanto não descrobrimos as coisas certas a serem ditas - inclusive se você souber primeiro, dê um jeito de me informar pessoalmente, por fone, ou e-mail. Não esqueça! - fica aqui uma dica: já que não tinha a faca ou qualquer outro objeto para furar os pneus, você poderia usar a própria chave do carro! Mas esta para arranhar a lataria! É mais rápido e causa um prejuízo relativamente no mesmo nível que o do pneu furado. O malvadão vai sentir mais raiva do que você sentiu anteriormente.

KK disse...

“Somos céus atravessados por nuvens de energias vindas da profundidade dos tempos. Quanto mais acreditamos que somos alguém, mais somos ninguém. Quanto mais sabemos que não somos ninguém, mais somos alguém.” –Pierre Lévy, em O Fogo Liberador

achei isso de mim hoje (q não sei quem sou) e decidi te contar!

Jorge disse...

Uma forma mais light na consciência de descontar seria esvaziar um dos pneus, sem furar. Não ia dar preju, mas seria uma dor de cabeça certa pro educadinho...

Kateuscia disse...

Pode até ser que somos educadas assim.... + que dá vontade de pegar uma bazuca e bowuwuwuwuw.... pronto resolver o problema dá. É claro q pessoas educadinhas como nós, não vamos fazer isso nunca, logo vc q como diz a sábia minha mãe: é a filha que toda mãe queria ter .... aiaiaiaiai eu entendo perfeitamente essa furia toda. Estava a calma moça aqui indo de Trindade a Goiania 6:30 da matina levar minha mãe ao aeroporto e eis que parei na faixa de pedestre em frente ao setor Vera Cruz veio um idiota e bum bateu na minha traseira e qdo desci toda educada pra ver se ele ou a passageira dele tinha machucada ele olha bem no meu olho e diz: só podia ser mulher. Te pergunto cadê a nossa bazuca. Eu claro educada que sou, disse: bom dia moço o sr. machucou e claro ele não tinha seguro, eu tinha e tive que pagar minha franquia pq até hoje ele não apareceu e eu continuo com ele engasgado aqui ..... rsrsrsrsrs