
"Nem o tempo me faz companhia. Não me arranca essa agonia de viver..."
"Se exponho a você minha nudez como pessoa, não me faça sentir vergonha!"
“Há no mundo alguém mais bela do que eu?”. A pergunta da rainha vaidosa foi feita a um espelho mágico há muito tempo, em um reino bem distante. Hoje, o melhor seria fazer o questionamento a outra ferramenta, muito mais poderosa: o Orkut!


Virou moda. Depois de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, presos pelo assassinato da menina Isabela, agora foi a vez do “fenômeno” do futebol mundial conceder uma entrevista interminável ao programa Fantástico, da Rede Globo. O tom da conversa foi de reverência ao craque. A repórter e apresentadora, Patrícia Poeta, se enconlheu diante do ídolo.
Resisti o quanto pude, mas acabei fisgada pelo “Caso Isabella”. Exercendo meu direito de jornalista e, acima de tudo, de cidadã brasileira, também quero comentar o crime que está mexendo com as emoções e o imaginário popular. O objetivo aqui não é tratar da violência que assola as famílias brasileiras, tema bastante debatido nas últimas semanas, e muito menos especular a culpa ou a inocência do casal, já indiciado pelo assassinato da menina. O que me interessa é apenas questionar: por que Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, pai e madrasta de Isabella, sucumbiram à mídia? Por que falar à imprensa?"Deus, eu faço parte do teu gado: esse que confinas em sonho e paixão, e às vezes em terrível liberdade.
Sou, como todos, marcada neste flanco pelo susto da beleza, pelo terror da perda e pela funda chaga dessa arte em que pretendo segurar o mundo.
No fundo, Deus, eu faço parte da manada que corre para o impossível, vasto povo desencontrado a quem tanges, ignoras ou contornas com teu olhar absorto.
Deus, eu faço parte do teu gado estranhamente humano, marcado para correr amar morrer querendo colo, explicação e permanência."
(Lya Luft)